O Exército do Sudão afirmou que assumiu o controle total da capital Cartum, após uma ofensiva de uma semana que permitiu recuperar o palácio presidencial, o aeroporto e outras posições cruciais das mãos de seus rivais paramilitares.
O país empobrecido do leste da África é cenário há quase dois anos de uma guerra entre dois generais rivais, um conflito que deixou dezenas de milhares de mortos, mais de 12 milhões de deslocados e uma grave crise humanitária, segundo a ONU.
Após um ano e meio acumulando derrotas, o Exército do general Abdel Fatah al Burhan começou a recuperar, no final de 2024, território no centro do país em direção a Cartum.
Pouco após o início da guerra em abril de 2023, a capital caiu sob poder das Forças de Apoio Rápido (FAR) do general Mohamed Hamdan Daglo.
"Nossas forças limparam com sucesso os últimos redutos dos remanescentes da milícia terrorista Daglo na cidade de Cartum", afirmou o porta-voz do Exército, Nabil Abdullah, em um comunicado divulgado na noite de quinta-feira.
Na quarta-feira, no recém-recuperado palácio presidencial, o general Al Burhan havia declarado a capital "livre" das forças paramilitares.
Testemunhas e ativistas relataram nos últimos dias que os combatentes das FAR fugiram de Cartum após a tomada do palácio presidencial na sexta-feira passada.
O grupo, no entanto, afirmou que não aconteceu uma "retirada, nem rendição", apenas um reposicionamento. "Levaremos derrotas esmagadoras ao inimigo em todas as frentes", anunciaram as FAR em um comunicado.
Além de provocar uma grave crise humanitária, o conflito dividiu o país, com o Exército controlando o leste e o norte e as FAR com o controle de quase toda Darfur (oeste) e algumas partes do sul.
* AFP