O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quarta-feira (26) que cabe à Europa fornecer garantias de segurança à Ucrânia e descartou que esse país possa se unir à Otan, às vésperas da visita do presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, a Washington.
"Não vou oferecer garantias de segurança que vão além do estritamente necessário", disse Trump em uma reunião de gabinete. "Vamos deixar que a Europa faça isso porque (...) a Europa é sua vizinha, mas vamos garantir que tudo saia bem", acrescentou.
O republicano resiste à pressão dos europeus para que os Estados Unidos concedam garantias de segurança em um eventual processo de paz entre Kiev e Moscou.
Dirigindo-se a jornalistas durante a primeira reunião de gabinete neste mandato, Trump confirmou que Zelensky o visitará na sexta-feira para assinar um acordo sobre a exploração de terras raras na Ucrânia.
"Será um grande acordo para a Ucrânia também", disse Trump no início da reunião de gabinete na Casa Branca.
"Estaremos no território e, dessa forma, é uma espécie de segurança automática, porque ninguém vai se meter nisso com nossa gente lá", acrescentou Trump, descartando qualquer garantia formal de segurança.
Quando questionado sobre quais concessões faria para encerrar a guerra, Trump descartou que a Ucrânia faça parte da Otan.
"Podem esquecer a Otan", disse Trump. "Acho que essa é provavelmente a razão pela qual tudo começou", acrescentou o presidente americano, repetindo a postura da Rússia sobre o que motivou o início da guerra.
O ex-presidente Joe Biden apoiava que a Ucrânia se tornasse membro da Otan, mas sem oferecer um prazo para isso.
O Conselho de Segurança da ONU aprovou na segunda-feira um projeto de resolução apresentado pelos Estados Unidos sobre a Ucrânia, no qual não há condições para um acordo de paz nem menção à integridade territorial. A proposta recebeu o apoio da Rússia e da China.
"Vamos fazer tudo o que pudermos para conseguir o melhor acordo possível para ambas as partes (...)", disse Trump, destacando a intenção de que Kiev "possa recuperar o máximo possível" de território.
* AFP